sábado, 8 de abril de 2017

Bom dia, América!

1915, Saudação à bandeira, EUA

Eu não sei ao certo se foi em gênesis ou se estava no site de notícias.
Não, este não é um poema engraçadinho e rápido para cumprir 140 caracteres
de pensamento instantâneo sobre o mundo e sobre o meu modo de fazer.
Não consigo achar graça dos que fazem graça.
Estou tentando fazer o meu café sem eletrônicos, mas um pássaro sinistro faz sons
estranhos na minha janela. Ligo o som fake de montanha e riacho.
Li que a máquina mais medonha do mundo será a que chegará ao talvez de tudo.
Talvez esfolem crianças ou talvez envenenem esse solo.
Tanto faz o talvez se nossos sangues não se misturam quando não somos iguais.
A guerra durará um século antes de abrirmos os olhos pela manhã.
Porque a situação é a seguinte: "eu confio tanto no outro como o outro em mim".
Guardemos nossos tesouros com chaves, guardemos nossas histórias em segredo.
Guardemos nossos cofres, nossos risos cínicos, nossos tumores.
Guardemos nossas vigílias, nossos interesses, nossos amantes.
Guardemos nossas senhas, nossos demônios, nossos gritos noturnos.
Guardemos o terror, as carnes que tremem, todos os corações disparados.
Disparados!]
A bala que te mata, de quem é?
Açúcar. Esqueci de comprar.

Patricia Porto
 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

faca cega

Paul den Hollander_ South Limburg, 1978


Não existe este fora
ou este dentro
- tudo está agora naquela figura, a esfumaça
que cruza meu desejo de criar poemas

pediram para não citar o poema em vão
de ideia, foice que seja, em vão dessas minhas vigilâncias,
para não ser comida numa mastigada só, sem as beiradas

digo ao Rei que existe apenas o vestígio de ontem?
Que Ofélia serei se não mais estarei morta ao largo?
Ele me vê, porque sei que me espia pelas entrelinhas,
me vareja com seus dentes afiados, absolutos

E o vão, o vão é sempre tão sedutor,
mas que raio de poeta serei eu se não me enxergar na própria porta?
Contemporânea às tuas faces
feito Atena,
consumindo revistas,
direi do alto deste penhasco sem nenhum Cristo:

não, Destino, não há dentro ou fora
apenas vão
agora vão

Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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