quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Nasceu para todos.

Sally Mann


Ficou sem teto
as noites com seus objetos pontiagudos
vieram dar boa noite, vez por vez, um cerco.

A escrita já não era a solução pra nada,
não tinha amigos. Sua poesia era um isto.
Basicamente sem amigos.

Ficou sem ar no balão de oxigênio,
escafandros eram para os com chance.

Precisava escrever poemas ou notícias para não asfixiar,
mas não precisava de falsos profetas, extrema a unção,
a piedade dos calhordas.

Quanta lástima uma mulher pode carregar na alma?
quantos origamis da mesma tristeza?
Um revólver sempre apontado pras estrelas,
um cano esguio na boca,
o céu enfim.

Patricia Porto

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

quem é a mãe do inseto?

Elliott Erwitt

pode ser tão fina a camada
que me separa do outro: lado direito
e lado esquerdo na mesa, casa, ruas, separando nossos utensílios
de guerra?
um avestruz ou um cisco no próprio olho
em conformidades com o silêncio do café, a tinta fresca, o corpo
com riscos verídicos de morrer de insônia e gota

a idade, um sinistro de exatos:
medo de cair, sangrar pelas narinas,
quebrar os ossos

tanto tapa na nuca vez acordar pro êxodo,
tanto chute que a ferida emprenhou

nascida de uma coxa
gerou um deus desgrenhado
sem pele, sem unhas
torso com escamas
atávico

um bicho voraz
capaz de devorar a si mesma


Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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