segunda-feira, 12 de junho de 2017

Da poesia para consumo

quando todas as partes cuidarem das partes que lhe cabem
quantas metades existirão?
de qual aparte será o que me cabe, mulher e humana?
de qual parte serei apartada?
com quantos abades se forma uma parte?
de quantas margens precisa o aparto?
onde caberá a parte maior na parte menor?
nas pequenas subdivisões, ramificações, especulações do mercado
- onde resistirá o amor?
na pequena soma das mortes virtuais? Nas urnas das cinzas de um mundo
onde apenas mães pobres procuram corpos?
onde venderei minha alma pouca, minha perda dentária?
meu universo de palavras não desejadas, não comercializáveis,
o verso que não cabe no copo?

a próxima pele será como o incêndio dos não-identificados
a próxima poesia não será televisionada


Patricia Porto