domingo, 7 de maio de 2017

(sem título)

Giovanni Manfredini


O menino preparando um estilingue
A velha deitada em sua cama:

entre se afogar e mergulhar
O mar era o mesmo
A mãe era a mesma
A mão no cabelo
era no entorno, o vazio
de amamentar nos braços o inimigo

Nunca se cansava de dizer
e praguejar: passarinhos ao chão!

O menino dentro da casa de suas ilusões
mais sentidas era de uma sanidade atroz

Pegou da mão do menino e foi brincar de morrer na casa antiga de suas infâncias

Solta esse estilingue, menino!
A morte é a mesma e eu só desejo paz


Patricia Porto