quinta-feira, 25 de maio de 2017

Os vidros de 78



Eu também conheci a árvore da vida,
os figos eu os devorei todos de uma só vez
meu melhor poema ainda não nasceu
Dormi aos oito anos com coturnos na sala
acordei aos 46 com Brasília sitiada
Meus figos vieram à tona
dez mortos no Pará
Meus figos atirados contra as paredes
do estômago
queimando a boca
as mãos
o meu cachimbo sem paz

Dormi com coturnos na sala
acordei com Brasília sitiada

Patricia Porto