quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Nasceu para todos.

Sally Mann


Ficou sem teto
as noites com seus objetos pontiagudos
vieram dar boa noite, vez por vez, um cerco.

A escrita já não era a solução pra nada,
não tinha amigos. Sua poesia era um isto.
Basicamente sem amigos.

Ficou sem ar no balão de oxigênio,
escafandros eram para os com chance.

Precisava escrever poemas ou notícias para não asfixiar,
mas não precisava de falsos profetas, extrema a unção,
a piedade dos calhordas.

Quanta lástima uma mulher pode carregar na alma?
quantos origamis da mesma tristeza?
Um revólver sempre apontado pras estrelas,
um cano esguio na boca,
o céu enfim.

Patricia Porto