quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

objeto solitário ou canção para Cassandra


Killy Sparre


daquela coluna que se olhava a relva
nossas sombras esparsavam fluídas
são grades os metais que brilham no escuro?
parecem pulseiras, estrelas,
algemas confundidas entre estanho e linguagem

o tudo que faz sentido entre nós
não desceu o rio, espelhas,

permanece leito
e morno
- quase ralo

quem obscena é a morta,
a compulsiva?

escreventes datilógrafos
invadem a língua e
salgam os pequenos lírios

perto de mim
encontrado objeto solitário sobre a mesa:
uma carta para Cassandra, uma canção

entre nós duas este corpo terrível e sonoro
não mais identificado

Patricia Porto