terça-feira, 19 de abril de 2016

O fim dos elefantes

um elefante na sala carrega meu peito,
preciosa pretensão a nossa,
neste ponto de achado

Tanta fugacidade nas minhas manhãs de enjaular férias,
mal posso dormir em mim de tanta desordem,

meu elefante anda sobre as águas
adulando essas minhas memórias,

espero um tempo de ação,
mas estou imóvel, paralisada, asfixiada.
Tudo é dinheiro e eu precisava de uma nova rota de fuga,

meus sapatos gastos, minha temperatura alta,
eu e meu elefante tentando aprender novas linguagens:

um dia de cão.

um abraço de urso,

fósseis são do elefante. Uma babel & O fim.

Patricia Porto



quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Desterro

Esses sonhos novos eu colhi com meus olhos - também novos,
porque perdi a bússola de Ariadne e estou só.
Poderia chamar de deserto, mas que culpa cristã tem o deserto?
O deserto está só - só nele. Deixem de fazer de suas ruínas algo tão belo!
Tão belo como um deserto só um deserto! Está onde deve estar, pouso.
Andei entre os homens e vi massacres, mas não encontrei nenhum mapa.
Andei no deserto e vi o sol, a areia, a rotação, o tempo que se move quente.
Não achei o Minotauro nem pedacinhos de pão.
Descobri que o desafio do território é dentro,
algo muito sem fio.

Patricia Porto