sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sem Perdão

Jane Lund


Há dias de sol e tormenta, de não seguir o estrangeiro.
Malas prontas para partir com um sorriso enigmático no rosto.
Naquele dia decidiu não mais apreciar poemas piadas,
não seguiria a ordem do dia nem publicaria em outdoors.
Olhou para seu companheiro de lógicas e percebeu que estava só.
Vagando no emaranhado dos poemas esparramados, sem proposta
de boa digestão, estavam sós.
Como se vivessem em caixas, pequenos caixões, homens se amontoavam
com gestos e gritos de sobrevivência.
Decidiu sozinha que o poema não seria mais guilhotinado nas ruas avessas.
Sem perder o viés da aventura cartográfica,
exilada, expatriada, rancorosa,  aglutinava palavras ao redor do barco.
Palavras como irmãs, pátria, palavras sem algemas.
Não trocaria a poesia por trinta moedas,
não se lançaria ao precipício se é o que aguardavam.
Permaneceria viva como uma estátua de carne no meio do passeio público.
A mão gentil de uma criança lhe alcançaria
e elas juntas negariam o amor três vezes.

Patricia Porto


Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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