terça-feira, 30 de agosto de 2016

O circo dos horrores e as mulheres serpentes

Enrico Robusti

A mulher corpulenta de colar de pérolas, riso cínico de pérolas, olhos sorrateiros de pérolas anunciava o cortejo dos trabalhos. Sem reflexo, olho de vidro, com um cinismo mais tórrido que seu vestido de viscose, visgou-se no muro. O urso polar está em extinção, mas a mulher justiceira de pérolas em multiplicação prolifera-se. Eram meninas soberbas. As meninas prodígios com vestidos de flores verdes como flores amarelas de plástico e alegorias de igreja. Egos nervosos, ecos de caverninhas de Platão perdem para inferninhos de Dante. Falas de direção, vozes duras, timbre másculo feito um pau em ereção pela manhã. Como competir? Para quem competir? Competir, competir... feito um pau de viagra, uma vagina com estacas de pau de sebo, bola de sebo, o sebo escorrendo pela boca da vagina de plástico.
Como competir com a vagina de sebo? Como levar vantagem em tudo? Como enrouquecer a voz e pisar de coturnos em marcha com mechas longas guiando criancinhas para a câmara de gás? Rostos de garotas coca-cola, como competir? Como vencer da coca-cola? Como vencer se a pessoa de nascença tem o nariz torto e o mal do septo?
A mulher serpente de plástico terminando os trabalhos, olhos de pirata, sorriso de fios de vilania, incensava o ambiente, colar de pérolas aos porcos, as porcas de visgo, viço fácil, dentes de porcelana. O rio ia passando lentamente sem cortes de edição... Choro de escada, escada de mármore polar, frio polar, abraço polar, solidariedade polar, solidários de merda que apertam com a mão mole, carregam pastas e dejetam pela boca que vão rezar pelos menos favorecidos. Menos favorecidos de quê?
A mulher corpulenta goza com seu pequeno poder de balança, seu pequeno poder de merda, goza com seu sorriso de merda, atravessa o corredor da morte alheia se achando a rainha da grande batalha, na sordidez da vitória. Mas no final do corredor se fingindo de amigo há um gato que ronrona.
No circo das mulheres serpentes tudo desfunciona numa traquitana.
E serão servidos testículos de velhos bois como prato principal, uma iguaria.

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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