domingo, 5 de junho de 2016

A Era de Cardumes


muitas vezes era o cardume
os peixes alinhados vesgos se debatendo,
crescendo no cardume com sonhos de cardume,
as certezas de cardume

dentro do olhos vesgos se debatiam
- quase vivos ou quase mortos

se o tempo nunca é lógico
e se as quedas são para o chão
escamas espumam até à morte

seguem suas vidas de cardume
com tentáculos e correntes,
com promessas do cardume

óleos nas pélvis,
ovários de peixes
apanhados nas redes, um caviar
os cardumes assistem a TV,
acenam continências,
entram na fila,
comem esfaimados as sujeiras fétidas
da nova Era

cuspidos de seus interiores,
os mitos, as luzes,
os monarcas, os olhos
afogam o afeto na gota

Patricia Porto