domingo, 27 de março de 2016

o que corrói

Não há felicidade na Poesia.
Não há bom mocismo
nem lugar que aconchegue o espírito.
A poesia é só inquietação,
fome, sede, frio, bola na vidraça,
sonho fodido, comido pelo coleguinha gente boa.

Não, não entendo quem faz poemas de bibelojas
ou poemas concretos no tempo em que o poema pede: me sangre

Não entendo a estética dos vazios,
dos becos sem solidão,
dos copos sem aguardente pra queimar feridas.

Não entendo a poesia orgânica, que não come ao pardo,
que não defeca, não tem demônios

Me contento com os últimos dos seres que escrevem poesia na carne
e estão no açougue da vida.
Ressuscitam porque morrem todos os dias
pagando as prendas,
ofertando voz à presa.

Patricia Porto