quinta-feira, 27 de agosto de 2015

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a mão e o tambor
o gesto a frequência
o simbólico e o universal
a cultura a raça
o som das minas
o outro
o ouro preto
a luva de afagos
me toca

meu filho Pedro

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Onde Folhas Lembram Galáxias



ONDE FOLHAS 
LEMBRAM GALÁXIAS


A casa da minha namorada fica numa
rua pequena, coberta de folhas
de amendoeira. Foi ela que me fez notar.
Até então, pisava nas folhas sem perceber
como o som dos estalidos lembrava
o crepitar da madeira. Apressado,
buscava chegar na casa dela
sem ver o póstumo mimetismo
que fazia as folhas adquirirem
tonalidades diferentes. As folhas
em frente ao prédio azul, eram
azuladas. As defronte ao
prédio rosa eram rosadas.
É algo relacionado à luz do sol.
Tudo na Terra, aliás, é relacionado
à luz do sol, relacionado a girar
em volta, o que me traz de volta
à minha namorada, em torno da qual giro
sem ficar tonto, como um dervixe,
um pião, uma ciranda acelerada
que espalha mais folhas ao redor,
formando uma galáxia caída na calçada.
Já contei que a calçada é irregular?
As raízes desfizeram as retas
para fazer mais folhas. Quebraram
concreto para produzir mais folhas
e criar sua própria calçada
em frente à casa da minha namorada.

Ricardo Gualda

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Ausências

Ausências (Patricia Porto)

Distante do continente - o amor é terra estranha,
o amor sofre de impulsos , vazios, peito e arame,
tem marcas de exílios nos dedos,
cactos serenos de ossos no deserto,
por dentro é trompa de Falópio arrancada,
uma ferida acesa de tempos mortos e renascidos,
há de viver na seca de seus votos,
ameaçado de expandir não se dissolve,
ameaçado de crescer, cresce por dentro, apaixona-se,
apaixona-se livre de cálculos,
quer cometer delírios,
soltar das margens,
idealizar o encanto,
cria um novo país de promessas.
Longe das amarras de virtudes,
folha morta na calçada
é tempo de ausências, agulhas de ocasião,
instrumento afiado para o tecido da morte
reclama de presenças
reclamado de amantes siameses
picha os muros das cidades,
faz declarações pelo caminho como quem joga flores
e desespera-se,
guarda o retrato no íntimo,
não importa os apagamentos do passado,
o privilégio da paixão é indistinto.


Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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