terça-feira, 28 de julho de 2015

Poesia no escuro

antigamente eu tinha esse medo do escuro, medo das cordilheiras
e do salto para dentro com nariz tapado,
todo assombro uma vertigem, uma notícia de Kepler

nas horas insolúveis eu  bebia café,
nas horas em que seguia sozinha como se a última noite fosse ali
- um quantum no poço, esquivas

eu também pulava janelas
eu também escutava coros de igreja no ouvido,
devia acelerar minhas partículas, atomizar minha destreza
e parecer menos hermética à primeira vista
  - é o que sempre me diziam os que sabem

mas antigamente tinha uma porta aqui
e uma porta de emergência para a escrita em vermelho,
a escrita no sangue, e outra para o infinito e um deserto

eu até mesmo tinha uma luneta para olhar estrelas
e colecionava notícias de apego
porque fui de nascença certa poeira,
coisas de poesia aérea
coisas doídas de desvios

Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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