terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Passagem


Louise Bourgeois by Annie Leibovitz, 1997


A morte soltou do bucho da mulher prenha
e veio tirar o nó de marinheiro do peito,
abriu uma porta, fechou outra,

arriscou sangrar o intendo,
sangrada ficou.

Padecendo de juízo torto,
atropelada pelo fantasma
da própria sombra

anuviou
e virou artimanha desatada.

Besta, furiosa
entrou no beco sozinha,
abriu a porta de dentro,
arrancou dois olhos de um clarão.

Fez da mulher mistério
lhe alisando os cabelos:
passagem.

Patricia Porto