segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Paragens

Andrea Sunder_ Plassmann aus der Serie Selbst 1986


bacia branca:
água salobra parada
a louca de espírito aceso
acende velas, perguntas
e não tem margens

mascou o bom dos dias
e não levou o tombo
dos velhos tempos
das velhas cigarras
das velhas senhoras nas filas
das velhas e gastas gotas

uma bacia branca
uma água parada
um salgueiro
uma dança salgada nas tripas

agulhas para os pés
infinitos para a existência
quem sabe esse cordel nos sustente
esses olhos de mel
essas rugas de arsênico
essa tâmara na carne

quem sabe teu amor me alimente
ou me dilacere o que teima sobrar

nessa terra de cegos
todos nós são os farpados


Patricia Porto