terça-feira, 17 de novembro de 2015

Casa Aberta

© Horst Fischer



eu sou a tarde, envelheço a olhos vistos
a olhos míopes, a olhos de pirata,  os de vidro

procuro agulhas nas caixinhas
sou um terço do quarto que desejei ser

e estou de vigília nessa montoeira de horas desordenadas,
calculados os perigos, os danos, as epígrafes

não corro mais atrás de mim mesma, Alice

ando diminuindo
diminuta
ando

estou atravessando aqui o meu silêncio quebrado

atrasei tantas dores

não adiantei a morte

fiquei quieta no temporal,
andei de trás pra frente

olhei duas vezes o mesmo espelho de dentro

e o que vi
me abraçou

- de repente

Patricia Porto