terça-feira, 13 de outubro de 2015

uma língua



não se suje
minha boca
a nua
gorda, xícara rachada
aberta de língua

não se gaste
não se corroa com seu gesto
de língua nas Savanas
o suór de seu deserto

não se deite na boca acesa
não se amarre nos dentes de ouro
não ameace lamber o lume do abismo

caia e não se renda, enreda, enrenda
qualquer flor te cabe ainda a pena

Patricia Porto