terça-feira, 8 de setembro de 2015

O círculo

Hoje eu não dormi de novo,
estou acesa e não sou farol.
Estou acesa de tomar vinho barato,
de doer de acender a luz dos olhos florescentes.
Acendo e queimo, aparo unhas, ajusto canivetes,
saboreio sorvete de avelã e penso em soluções,
dissoluções, o pinga pinga da torneira,
a chuva fina de conteúdo poético,
minha plástica de insônias sucessivas
é um signo distorcido, um som de vampiro na porta.
A arma é minha por engano,
as balas escapam sem complacência.
Atira e eu gemo,
atiram, eu gemo.
Sou perfeita para tiros ao alvo.
Três balas até o estômago,
uma gastrite que queima,
três balas diretas
- uma salga escorrendo até o peito.
Travesseiros hoje me sufocam,
eu gemo.

Patricia Porto