quarta-feira, 9 de setembro de 2015

mais uma xícara, por favor

tenho jogado fora palavras com a mesma medida de desordem
que iniciei meu plano de perspectiva sobre o mundo

não há margem para simbolismos quando estamos no deserto,
o que há é a escassez, uma folha pálida a ser escrita,
a areia fina da estrada, esse deserto que toda gente traz,
pois ousado é passear no tempo velho de zepelim

o que foi feito dessa nossa poesia?
o que foi feito da viagem que fizemos ao interior de Minas?

tem a porosidade de estarmos aqui sentados neste bar sozinhos,
cada qual em sua mesa, olhando essas telas a passar

poesia espremida nos cantos dos olhos, quase muge:
uma mistura de sal de lágrima e desejo,
tão destroços da minha geração

egos que se misturam ao achocolatado,
a culpa talvez seja do tal nescau,
do leite morto de infâncias,
desse morno todo

poesia espremida entre os olhos
avista os cafés parisienses,
avista os cafés de Buenos Aires,
a moça tão comum de vestido violeta,

achocolatados entornam pelos cantos da boca,

poesia vai para o deserto em busca de café - num balão de gás

- assim foi como disseram que terminou a História, pequena


Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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