sábado, 19 de setembro de 2015

Box

falei pra ele naquela noite estranha: "me diga o que escrever
não me insulte com sua viagem passageira
pois comi o bilhete da sorte que nunca tive"

andava sobre meu próprio corpo morto
e escrevia cartas ao General

malabarista na depressão do terreno
infiltrada por dentro
coletando minhas quedas
os escombros de minha fortaleza

como um câncer que destrói a paisagem
mas só tem câncer quem tem
o resto é felicidade gratuita
pega uma aí, vai

passeando entre rostos sorridentes enterro poemas
escavo a terra na unha

onde foi morar o General?

com tantas mensagens assim
me desconheço

Patricia Porto