domingo, 6 de setembro de 2015

...


A memória se deitou numa caixa escura,
uma memória uma centelha de sentidos,
as coisas dentro da caixa um relicário,
guardados de carnes do menino santo,
santo corpo de lírios,
santo corpo há reentrâncias,
oculto, vigiado, ressentido,
cuspido, fatiado entre bocas.


Do outro lado a imagem
não é humana.
Deus do outro lado
não é humano.
A água escorre memória.
Não é humana.
A terra triste onde tudo é só
o tempo é sal.
A terra treme
e transa.

Patricia Porto