terça-feira, 8 de setembro de 2015

águas

enquanto aguavas a noite
feito narcisos
eu mendigava esperanças,

éramos tu e eu reflexos das águas,
tão limpos que palavras nos chegavam
sem segredos

as gaivotas sobre a ponte
sem plano de voo,

éramos depois de tantos dias
as flores brutas
que nasceram da dor

ouvia tua respiração aflita,
o cachorro selvagem nos olhava de longe,

do mar sinais de cavalos-marinhos, corais,
minha sonata remota, uma garganta da morte,

éramos dois acenos,
dois dizeres:
um silêncio e outro achado

longe vai a partida
- essa ilha póstuma

Patricia Porto