segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Ausências

Ausências (Patricia Porto)

Distante do continente - o amor é terra estranha,
o amor sofre de impulsos , vazios, peito e arame,
tem marcas de exílios nos dedos,
cactos serenos de ossos no deserto,
por dentro é trompa de Falópio arrancada,
uma ferida acesa de tempos mortos e renascidos,
há de viver na seca de seus votos,
ameaçado de expandir não se dissolve,
ameaçado de crescer, cresce por dentro, apaixona-se,
apaixona-se livre de cálculos,
quer cometer delírios,
soltar das margens,
idealizar o encanto,
cria um novo país de promessas.
Longe das amarras de virtudes,
folha morta na calçada
é tempo de ausências, agulhas de ocasião,
instrumento afiado para o tecido da morte
reclama de presenças
reclamado de amantes siameses
picha os muros das cidades,
faz declarações pelo caminho como quem joga flores
e desespera-se,
guarda o retrato no íntimo,
não importa os apagamentos do passado,
o privilégio da paixão é indistinto.


Patricia Porto