sexta-feira, 10 de julho de 2015

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Henri Cartier Bresson


Num amor distante das tragédias, meu querido,
amo para além do tempo posto,
uma aposta perdida para vida com seus tentáculos.
Minhas entranhas devidamente aradas,
meu corpo oculto na frase que me causa poemas
me floreia a angustia de saber da morte dos dias de outono
quando passeavas com outras que não eu.
Que dura a verdade da vida! Saber que minha floresta se aquieta,
que todo meu sonambulismo será meu retorno para casa cansada,
pouso de pássaro numa ponte que me causa quedas.
Ando espaçada da criatura que me tornei,
tenho hemisférios cortados,
chagas que me anoitecem mais cedo.

Da boca que calam beijos
me devora água por todo corpo,
me abre os olhos com suas aparências,
me espreita uma vontade de alongar as deixas,
de compor as falas, prologar o tempo que foge da memória.
Num equilíbrio de cordas me deito, perigosa para contentos.
Quero a destreza de Deus, compor a balada do tempo
que dobra o corpo na linha sem redes.
Acordar em suspensão. Desejo. Gozo. Vida.
O dobro. Rasteira no rapto de meus dias felizes.

Ser eterna no próximo verão.

Patricia Porto