quarta-feira, 15 de julho de 2015

alguma razão

Tomasz Solinski


Eu queria escrever um poema com os miolos
- decidi comê-los feito miúdos.
Sim, tem mais obscenidade na mente que na carne.
Minha chance é sempre invicta e é caricatura,
uma criança gritando sem dó, de dor desenhada de minhas tintas.
Não posso amar uma criança que grita. Não posso desfrutar da pérola.
Então escrevo um poema com os intestinos
- com as excreções desse meu tempo que grita,
uma fala sem parar por dentro, confundida entre o amor
e as vísceras,

meu poema-tempo,
meu poema-casa.

Patrícia Porto