quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sala de Controle

Kiyo Murakami 


Já morri tantas vezes
e vivi tantas vezes mais
que essa cratera em meu planeta
é senão a soma desses acidentes

Voando pelo espaço
nesse desvio eterno para o vermelho.
De lá sempre posso falar com minha porção miserável

Olá, vamos fazer contato?
Onde a terra se curva ao azul
o tempo esquálido é o fim óbvio

Estou perdida sem conexão com a torre
Estou para sempre solta no universo
Minha versão delicada é terrivelmente abominável
e de onde estou ninguém me escuta ou vê

Apreciando silêncio e solidão,
estou perdida, confusa,
solta na nave que me ocupa

- sem conexão com a torre

essas delicadezas me matam

Patricia Porto