quarta-feira, 15 de abril de 2015

alguma palavra



Tomasz Alen Kopera


Se deus é limitado o que dizer de mim, olhando os limites que se colocam aqui - ao meu redor hoje sem evidências ou revelações necessárias. Apenas os limites. Tenho curiosidades sobre deus, sempre tive. Se acreditar fosse possível, eu teria tido menos tristeza e solidão. A curiosidade não ampara ou sossega, apenas instiga, cria questões insolúveis para as coisas mais simples. Talvez eu tenha um espécie de religiosidade muito genuína e isso não me torna mais importante. Ao contrário, sinto-me miserável e frágil. Adoraria ter um deus urgente para criar e acreditar, sentiria meus dias menos mortos de alguma coisa da qual não dou conta.  Tentei escrever preces, mas não obtive o necessário desprendimento. Tornar-me adulta foi um impacto profundo na ideia de deus, ampliou-me o sentimento de orfandade e, por consequência, a solidão das coisas que me habitam.  Parece errado, eu sei. Finalmente eu cresci sem um deus para confessar a minha vida atropelada, cansada, ínfima... Não é um tempo bonito de mostrar, não carregar máscaras é um desastre para um ser humano. É um desastre. Mesmo com amigos, família, pessoas para cumprimentar, estar sozinho ainda é uma condição de liberdade que parece desumana e natural. A escrita amortece esse sentimento tão íntimo, mas cria a angústia. No fim jogar xadrez com a morte como no filme de Bergman parece a inevitável certeza. Viver para esse jogo. E essa certeza nos torna humanos muito dependentes. Com essa certeza a alteridade não é uma opção nem uma circunstância, é a principal forma de nos manter vivos enquanto há vida.