segunda-feira, 13 de abril de 2015

Porque hoje só pensei em ti.

Há um rumor de enigma nessa desordem,
um prisioneiro dentro do umbigo querendo afeto.
Não, o poeta é sempre este que morre afogado na areia
e suas mãos e dedos longos tremem com as garrafas.
Ele vive com esta janela para o mar das mensagens,
para a baía dos náufragos, corpos celestes... uma antecipação.
Uma mão ao alcance do nada, uma retina, um fantasma, alguma promessa...
todos precisamos de promessas e descuidos na bastante fragilidade dos barcos.
A água batendo firme, um ofuscamento da certeza que cintila um farol.
Será preciso arregaçar os panos, descobrir os móveis, criar um novo mapa,
reacender o enigma.

Patricia Porto