sexta-feira, 17 de abril de 2015

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Há sol que brilhe para toda poesia.
Há um sol que nasceu hoje que é o mesmo que nascerá amanhã,
por isso escrevo para quem comunga comigo do fácil,
do pequeno e rústico divisível que há nas palavras mais corriqueiras:
mundo, sonho,  janela,  pão etc 
Não escreverei o difícil sinônimo da palavra estoica, rútila, refratária
e juntarei em cimentos de poesia esvaziada.
Escrevo porque sinto e me comunico com os que me entendem
na minha linguagem.
Não estou compondo um réquiem de palavras de vitrine, açucaradas
pelos estetas.
Aconselho-me com as próprias palavras desprovidas de cinismo ou
qualquer apatia.
Ando a dialogar com meu tempo, um relicário cheio de renúncias.
E me inscrevo nessas entrelinhas
através da água, do poço da memória, dos sentidos cotidianos.

Patrícia Porto