terça-feira, 31 de março de 2015

Dispersão

Pilar Vergara Schroeder


A poesia do objeto: a coisa,
a coisa viva diversa, inconclusa,
a que queima os dedos,
afina as cordas,
acorda o desejo no meio da treva,
ossadura e espanto.
Objeto vazio, página em branco,
faminta de imagens é pasto, patas,
búfalos que correm...  na cabeça.

Na onda motriz: disparam. Dispersam.  
Há de se correr com a caneta para alcançar os búfalos.
Imaginação é fuga.

Patrícia Porto