domingo, 4 de janeiro de 2015

Presságios

Raquel Aparicio

A diáspora e o florete,
a corda e a cadeira
vão forjando o tempo do eclipse do grão.
A cadeira e a diáspora,
quem poderá puxar o nó?
Dar sentido ao cabo de tudo?
E o suspenso irrompe capaz de conter todos os outros,
todos os outros mudos silêncios
- no exato movimento do salto.
Todos os silêncios cabem
num território fértil
no exato momento do salto.
Cada corda bamba sabotada
por quem nos ama abre aspas,
fecha vistas, ela nos cabe,
o equilibrista nos cabe.
E o que há de desejo na travessia
ecoa.
Não fecha aspas.

Patrícia Porto