terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Marés



Tambores do Maranhão


olhos de tambor na estampa do céu
noites de amar a seco, noturnos,
luas de anoitecer o meu lar,
frieza de endurecer o coração, a rua escura,

quentura de ver nascer a pele na flor,
argila de semear...

fogo serenou de novo é chegança
água serena no mato, é bonança
ele vem em mim do mato, na dança,
eu que sou mato não nego fogo,
acendo,
acendo o lampião da vida,
acendo a luz das lanternas do tempo...

no tempo das velas certas da noite,
vou pra Iemanjá de branco e azul,
de lua virada, vidrada nele,
homem que é da lida tem esse ardor:

acendo
pavios na escuridão,
navio perdido no mar sem fio,
partido,

partida
no mar
acendo,
aceno
e vou

aceno
e vou
aceno
e vou

Patrícia Porto