sábado, 24 de janeiro de 2015

A lúcida

Herbert List

(a terapeuta)

Ao que fez, sentada na cadeira,
descruzando os dedos ali...
Ela tão limpa, tão sólida...
Lendo através: o frio, o deserto na xícara,
xale sobre um dos ombros...
Ao que fez, debruçada sobre a queda:
lágrimas salteadas,
abraçando um rio inteiro em seus braços,
a ilesa,
sã e salva.

Que fundo...
Panos limpos,
nenhuma gota de desespero...
Só sincocrias e núcleos de rosas.

Patricia Porto