quarta-feira, 29 de outubro de 2014

de cashmere e sabre

© Francesca Woodman


de cashmere e sabre

Tecido de cor
- cashmere violeta.
Nas mãos um sabre
ao invés de flores.
A vida, essa desatenta
- não lhe deu pareia,
só tapera.
A noite, tacanha,
ganhou dela terço,
palavras ao vento:
“vou rezar por ti”.
Dobrou o tecido em dois,
jogou pedras na cruz
e desalinhou.
Por desbunde
vive a demérita.
Poindo coisas do não-coser.

Patricia Porto

de cashmere e sabre


© Diane Arbus

de cashmere e sabre

Tecido de cor
- cashmere violeta.
Nas mãos um sabre
ao invés de flores.
A vida, essa desatenta
- não lhe deu pareia,
só tapera.
A noite, tacanha,
ganhou dela terço,
palavras ao vento:
“vou rezar por ti”.
Dobrou o tecido em dois,
jogou pedras na cruz
e desalinhou.
Por desbunde
vive a demérita.
Poindo coisas do não-coser. 

Patrícia Porto  

Moldura

Francesca Woodman



Por trás do espelho
No rascunho da casa
Uma nota silenciosa:



Patrícia Porto

domingo, 19 de outubro de 2014

É o que temos para hoje.


Henri Cartier-Bresson



Há dias de delírio e dias de tumulto no coração
- uma luxúria impiedosa: viver.
Há esses dias de exílio e dias nanicos, de intenso marasmo
- essa vida atirando no ouvido esses dias de convulsão. 
Há essa mulher na rua pedindo abrigo,
tudo nela foi gastura, dias de poemas em eco insistente. Não vou. Estou indo.
Há dias de algodão e dias de chumbo.
Dias de quarto vago, de absurdos, vazio 
- uma tontura da existência: ter que partir.
Voltar e contornar a ilha
em dias inconstantes de suspense,
encontrar um cerco, cercar de muros a palavra, cercar-se de palavras.
Há dias de secar a palavra feito carne de sol.
Há os dias em que tudo é charco
e dias que só nos cabe renascer.


Patricia Porto


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Funâmbula

Hengki Lee


Verso que sai do emaranhado e vai ao cintilante.
Uma aventura póstuma em exercício de luto.
Esse poema deitado de hojes, escasso
de não-me-toques
: um tête-à-tête
Do Navegante ao caminhante
(sem palavras presas)
uma cidade inteira,
um gesto inteiro, sem medir, sem cálculo.
Fiel ao que desnuda, ao que translinha,
se oculta na manga sem sabotagem.
Dança recusas, promessas, precipitações
de cordas bambas.
Aprecia quedas, lampeja saltos.


Patrícia Porto

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Terça Nobre no Teatro Municipal de Niterói: Patricia Porto convida Maria Helena Latini

Divulgação e convite aos amigos.


No dia 07 de outubro, 19 horas, eu estarei no Teatro Municipal de Niterói na "Terça Nobre" na Roda de Novos Poetas, convidando a amiga e poeta, uma referência pra mim, a querida Maria Helena Latini. O evento é gratuito com distribuição de 80 senhas 30 minutos antes. Será a primeira vez do Livro "Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos", que já começa muito bem.