sexta-feira, 26 de setembro de 2014

a muda






Uma poesia ingrata reside aqui. É minha pátria e minha ilha. As duas numa serpente, numa serpente que se move labirintica em busca de sua cabeça, a segunda. Os que têm dentes para podar seu domínio não conseguem morder sua calda ou arrancar seu miolo na flor.
Mastigam vazios, suponho, sem praticar da beleza um narciso sequer. Há flores de comer como ilhas de viver em trãnsito.
A ilha me devora os caules e eu ainda sou do gargalho, pois gordas são essas horas de êxtase com minha pátria travestida de poesia. Tenho alma e vivo trasmutações. E mais nela, alma, tenho corpo de território. Tenho corpo que goza solenemente feito um animal em seu estado natural. Sou do improviso, gozo e não maculo. Tenho sempre essa fome de direitos. E essa poesia vestida com minha rosa, sangrada na pele, nesse gargalho, a que me oferta de leite bom, me lambe os peitos, me atravessa os tombos, me água a pele, molha, cansa o bruto, golpeia a derme, me repatria com agulhas afiadas, uma cicatriz que pulsa, coça, corta, dói quando o tempo a muda. De rosa para púrpura. De rosa para serpente. Sem cura. A levo. muda.

Patícia Porto

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A cena


A cena

Era grave o volume, uma voz de volta escudo,
a voz do abismo que trago bom dentro por fuligem,
faço voltas no ar, contorno de fumaça, essa cortina oculta

são poemas rasgados,
tatuados votos com o desagravo de ser eu esse mesmo ser a mesma,
essa voz de outro nome, essa palavra riscada por cima, traçada ninha

sofro de excêntricos,
experimentos de voz
na curva assento

Patricia Porto

Banquete

As carnes
expostas extremadas nas finas calhas
cabem umas noutras nas bordas linhas
desfronteiriças
fagocitadas
germinam

Patricia Porto

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Poema Animatopia por Patricia Porto



Animatopia

Porque era um corpo de imagens,
uma ciência fugaz, como a vida,
carregava sonhos e sopros que não cabiam fora de si.
Do si mesmo inventou a solidão,
Do si mesmo deu para falar
e entender uma nova linguagem,
a dos corpos não-domesticáveis
no corpo nu da poesia, uma cicatriz propositada.
Um corpo que se dobra à curvatura do espaço e tempo
que deu para saltar com os pés
as dobras do tempo, um labirinto.
Deu para ser o tempo dobrado sobre seu corpo.
Na solidão fabricada de novas memórias, seu desafio:
conhecer a anatomia desse novo animal
curvando-se ao espaço.
Amar esse animal  
e deixar-se avistar por Ele.

Terça Nobre no Teatro Municipal de Niterói: Patricia Porto convida Maria Helena Latini

Divulgação e convite aos amigos.

No dia 07 de outubro, 19 horas, eu estarei no Teatro Municipal de Niterói na "Terça Nobre" na Roda de Novos Poetas, convidando a amiga e poeta, uma referência pra mim, a querida Maria Helena Latini. O evento é gratuito com distribuição de 80 senhas 30 minutos antes. Será a primeira vez do Livro "Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos", que já começa muito bem. 



domingo, 21 de setembro de 2014

Abrindo a primavera: Lucilia Dowslley e Antologia "Um Brinde à Poesia"

            A primeira vez que vi Lucilia Dowslley foi como atriz na peça "Crônicas Pantagruélicas do Infame Rabelais", de Annamaria Nunes. Fiquei tão encantada com a peça que retornei uma outra vez, logo em seguida. Texto, cenário e atores extraordinários.
        Será um grande prazer e uma grande alegria retornar ao Teatro Municipal para ver Lucilia. Evoé!



"Dentro de um porão, uma poetisa se vê obrigada a escrever para ser libertar. Poesia, realidade e loucura, se mesclam confundindo-se entre o real e o surreal no Teatro Municipal em Niterói, terça, 23, às 19h. Em virtude das comemorações dos 15 anos do projeto "Um Brinde à Poesia" completos no dia 11 de junho, projetos especiais foram desenvolvidos e estão sendo apresentados ao longo deste ano.

Escrito por Vinicius Soares e contendo poemas de Lucília Dowslley, "Milagravas" é um texto que diz a simples e contundente verdade: toda palavra é um milagre, algo mágico que transforma quem as lê e ouve. Todo poeta, portanto, é um mágico, um mago, uma entidade que faz chorar e rir faz amar e enamorar, um alquimista que transforma as letras em oceanos misteriosos e profundos.

O texto foi escrito por meio de pesquisas poéticas, tendo como referências o livro "Milagrário Pessoal" de José Eduardo Agualusa e poemas de Fernando Pessoa e, como vertente principal, o poema "Louco" da própria Lucília Dowslley.

Com cinquenta minutos de duração, "Milagravas" narra a história de Lucília, uma mulher que está encerrada há anos em um porão por ser uma das últimas poetas que ainda escrevem. O tempo presente enfrenta uma crise: ninguém mais consegue escrever poemas ou histórias. A poesia, por vezes desprezada, retirou-se de cena, fazendo com que organizações clandestinas sequestrassem poetas para que as palavras voltassem a serem escritas.

O porão onde está a protagonista, se mescla com a loucura da mesma, fazendo com que o público se encontre num emaranhado de histórias, um mundo ávido de poesia e loucura.


"Milagravas", o monólogo que será encenado por Lucília Dowslley é um dos projetos que nos brinda com mais poesia. Na verdade, tem algo mais especial ainda. A jornalista, fotógrafa, poeta e atriz se desafiou a pisar no palco do Teatro Municipal de Niterói por sentir falta de trabalhar como atriz. A peça mais recente que atuou foi "Cabaret Wild", Salomé, de Oscar Wild, dirigida por Marcelo Aquino e apresentada no Solar de Botafogo, em 2010.

Lucília fez o Anjo da Morte e teve a liberdade de inserir poemas de sua autoria no espetáculo, incentivada pelo diretor. Mas Lucília tem história no histórico teatro de Niterói. Em 1997, no início de sua carreira, ela atuou com cinco personagens na peça "Crônicas Pantagruélicas do Infame Rabelais", de Annamaria Nunes. Com um inusitado personagem ela tirou gargalhadas da plateia e foi aplaudida em cena aberta várias vezes.

No fim da noite, haverá uma apresentação dos músicos e compositores parceiros de Lucília Dowslley Cayê Milfont e Sergio Octaviano, com a participação da atriz Carla Soares interpretando Fernando Pessoa."

Ficha Técnica
Direção e Dramaturgia: Vinicius Soares
Poesia: Lucília Dowslley
Atuação: Lucília Dowslley
Cenário e Figurino: Camila Scorcelli
Iluminação: Farley Mattos
Música: André Regal
Produção: Carla Soares Roteiro

Serviço
Lucília Dowslley | "Milagravas"
Data: Terça-feira, 23 de setembro de 2014
Horário: 19h

Duração mínima: 120 minutos
Entrada: Entrada franca (Colabore com o Abrigo ADONAI, trazendo 1kg de alimento não-perecível no dia da apresentação)
Classificação etária: 12 anos
Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de Novembro 35, Centro
Tel: (21) 2620-1624

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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