sábado, 6 de setembro de 2014

São Luís



Eduardo Wermelinger 


Não sei de onde me aportaram essas garrafas.

São saudades de casa,  
quando regressa tardia a primeira embarcação.
Longe um arquipélago, um mapa de perdidos para o mundo...
essa ilha de tantos no peito gravada,
essa ilha no assombro, esse efeito pronúncia.

Patricia Porto


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Nome


Andy Prokh


Há de se experimentar o improviso,
calar o medo na boca.
Há de se jogar fora as verdades anunciadas
e bendizer o signo na sua hecatombe,
implodido na sede de dizer para além.
Assim como vestes de um nada com tudo a ser dito
espocará balão inflado de possibilidades,
signo arbitrário, escapando ileso,
aberto ao tempo, memória fugidia.

Patrícia Porto

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Janelas (IV): Das conversas com Teobaldo

Juan Esteves

Sou uma apaixonada por imagens. E as persigo. Sei que muitos vivem esse processo criativo, como também vivem o inverso - partem da palavra-imagem para a pintura, a fotografia... Esse mergulho acontece quando vejo uma imagem que me fala fundo. Eu me sinto mexida, movida a escrever. E foi o que aconteceu quando vi a belíssima imagem do meu amigo querido Juan Esteves, uma imagem que tem por ele escrita uma linda narrativa, o que me encantou ainda mais. E daí surgiram as minhas quatro janelas, meus quatro poemas-janelas. E no meio desse caminho dialogado, não sem tumulto interno, me vi também conversando com meu amigo Délcio Teobaldo numa conversa imaginária, e a última janela é para ele num gesto de amizade. Estão no blog, estarão no meu livro e agora divido com vocês "imagem, palavra, amizade, narrativa, imagens..."



Abismos:
uma forma invertida de ver do avesso
a própria corda bamba
Se não abro o guarda-chuva
desequilibro
Se abro chovo armadilhas,
alçapões...
Sou boa mesmo é de abismos,
os de fora, mais os de dentro
A vida é curva,
é pingo de sal na ferida acesa
Se abro os olhos memória
Se fecho imagino
Janelas são para todos,
mas nessa varanda agora floresta
ao meu o lado um Dioniso,
o lobo é minha natureza:
eu escrevo versos sem cellophane,
como quem morde e sangra,
passando a língua no invisível

Patrícia Porto

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Devaneio



by Henri Cartier Bresson


O verso úmido é devaneio
Nenhum salto sobre a língua
nenhum sobre salto
e os dias são de destreza
e o sentido afiado
em suspenso
único

Eu de vaneio
atraindo o verso,
amolando a rima
vou na pedra  

PatPorto





domingo, 31 de agosto de 2014

Grande desafio




Manter-se vivo
Manter-se com os olhos abertos
e ser ao mesmo tempo comunicável
Cada homem carrega a sua cela
Cada mulher, o seu útero
Cada cidade, o seu beco
E o Rato, cada rato carrega a liberdade
do incomunicável

Cada rato carrega o susto
do incomunicável


Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.
Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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