sábado, 9 de agosto de 2014

A atiradora de facas

Victoria Selbach

Ela procurava uma companhia em anúncios digitais.
Profissão: atiradora de facas, santo oficio familiar de quatro gerações.
Andava solitária, o mundo envelhecia mais rápido que o habitual
e ela era um animal em extinção, um animal a galope
pulando vertiginosamente para o próprio esquecimento.

Mas nunca tinha matado uma mosca.
A atiradora de facas era um animal amoroso irrecuperável
que tinha como único passa tempo cultivar maçãs.

Patrícia Porto




Drama


Katerina Plotnikova фото


Apenas me viaje
nessa dura palavra de hoje,
me dissolva desse gosto de ser mais metal
- mais que pensei, uma piada estúpida de corte.

Viajar é ser a estrada. Venha...
Ando morando em meu silêncio horas demais.
Converso com meu estrangeiro em outras línguas.
Não me reconheço em nenhuma, nenhum rosto
tem o meu rosto. Nenhum nome leva o meu peso.

O poema pesa e minha poesia é esse grama que minha indolência não apara.

Patrícia Porto

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Esse silêncio é o cão



Katerina Plotnikova


Aqui estás como sempre estiveste antes, 
vista a olho nu, ou microscopicamente,
procurando um lugar aceso
na tua insana mania de escavar teus dilemas à unha.
Ampara-me com a tua palavra nas pequenezas,
nos pequenos de teus armarinhos, luzes fugidias,
e se houver alguma esperança me oferte... 
Esse silêncio é o cão!
Disse um dia ao pai "um bom natal",
e hoje mal sabe como seria seu rosto de velho.
A vida, ou um cão mordendo o móvel, ou um cão lambendo o pé.
Eis que estamos agora diante da fresta do mundo,
e por ela vejo um quintal:
pé de tamarindo, jaca, jenipapo,
tão doce amargor, frutas de uma infância na Ilha.    
Mas essas saudades efêmeras de hoje vem de um natal na Serra,
clara evidência de que o tempo escoa.
E sem saber da minha ou da tua fadiga noticiada,
se precisamos muito de um sono que nos restaure  
a mal dormida noite, a vida de merda se nos engole,
o sol assim brilha na esplêndida vertigem do dia. 
Um espetáculo!
Nele coo meu pó de acordar sempre alerta
e saio às ruas armada, o de sempre.

Patrícia Porto




terça-feira, 5 de agosto de 2014

Num quarto dela

Mirjam Appelhof

Após a tempestade,
entre espaços
e esquadros de lugares imperfeitos,
a bailarina se despiu, trocou de roupa
desejando
bonanças,
calmarias,
mensagens silenciosas.

Após a dança das ondas,
observando o que ficou
e o que deixou de lixo, dejetos na praia
sob seus frágeis pés de vento:
a vida ainda ousava naufragar tranquilamente.


Ele perguntou se era mesmo doce morrer no mar.
Ela sorveu a pergunta e imergiu num salto.

Águas de seu ventre rompiam,

sua bolsa de água rompia,
a água toda de seu corpo dolorido
rompia.
Era ela o próprio rodopio e o escape.

Em alívios
- sobra de seus dilúvios –
entendeu que não era o fim,
era um começo.

Rogou num absurdo gesto
de quem se resgata do Mar.
Não me amordace mais os pés
com sua salga.

Homem, seca meus dedos?

Patrícia Porto

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

No sense

Stoimen Stoilov - Стоимен Стоилов


Mulher no es-ohlep
espelhando da lua a luz

de um sol

no mirror
no matter

.

Porto Patricia

Boa sorte

Stoimen Stoilov


A sorte não é fonte do forte
Ou é seca ou lhe seca
Ou lhe serve ou lhe assombra
Ou lhe fere ou lhe engana
Ou lhe é manta ou lhe trai
Nesta tenda de ausência
Onde a veste é solidão
Onde a virada é a morte
Onde me talha e esfola
Onde me beija e corta
Onde mistério é ser-a-vir
Servos somos da tua sina
Sirvo, serves sem saber seguir 



Patricia Porto

domingo, 3 de agosto de 2014

Intangível

Stoimen Stoilov 


Nem poros, nem anti-poros, nem uma arrumação a pele
se meu tempo implode 
Não quero mais as dores de ser de Sevilha, eu, o rio civilizado,
você alguém que traz a luz  
O intangível esforço da lagarta... 
De quantos artifícios precisamos para compor um novo mapa?
Sobre a espera de despelar um ante-paro muscular,
um espasmo, e sobre a pele, essa recusa de absolutos,
essa sirene na rua
se meu tempo explode

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

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Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
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Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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