sexta-feira, 25 de abril de 2014

Rádio de pilha.

             
                 Eu precisava comprar pilhas, mas havia muita pressa nas ruas... E o asfalto queimava a minha sola de pé. Muita pressa nos olhos, e nenhuma lágrima indiscreta. Muita pressa no sangue, escaldando no solo de asfalto, um sangue pardo... Corpos empilhados na horizontal e minhas pilhas do outro lado da rua no meu consumo diário de energia. Muita pressa nos autos, nos baixos, nos sinais eletrizados, muita pressa de sentir, muita pressa de matar a hora matinal... a hora marginal. Na margem do asfalto fervendo o solo para bailarinos loucos que vivem de lentidão como as frágeis margaridas, o incunábulo.  Os viadutos com pressa, a vida chapada, o teto escuro com pressa... Pressa de dizer que o melhor é partir, pressa de escrever nomes novos nos corpos e trocar os nomes e os corpos por outros corpos e nomes. Pressa de comer. Tudo so fast. Pressa de festa, festa de viver no instantâneo, no miojo da vida o calabouço, a cloaca, o colapso, o conluio, a cocaína, a trapaça, a cidadela desconstruída... A traça, o troço, a masturbação, o ego, o universo, o rádio, um rádio de pilha sem pilhas porque agora jazz é morto, jazz está estirado no asfalto queimando em ondas de ferver meus pés. 

Pat Porto


quarta-feira, 23 de abril de 2014

LIVRO DE POEMAS E CRÔNICAS: "Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos" da Poeta, Cronista e Ensaísta Patrícia Porto


Neste "Diário de Viagens para Espantalhos e Andarilhos", a autora apresenta Poemas e Crônicas escritas ativamente no seu weblog desde 2007. Patricia Porto, poeta, professora, cronista e ensaísta, mais uma vez nos leva a questionar a vida, a nossa cultura, o cotidiano, as relações humanas, os enfrentamentos sociais e existenciais.

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domingo, 20 de abril de 2014

Animatopia

 Ekaterina Panikanova 

Porque era um corpo de imagens,
uma ciência fugaz, como a vida,
carregava sonhos e sopros que não cabiam fora de si
Do si mesmo inventou a solidão,
Do si mesmo deu para falar
e entender uma nova linguagem,
a dos corpos não-domesticáveis
no corpo nu da poesia, uma cicatriz propositada. 
Um corpo que se dobra à curvatura do espaço e tempo
que deu para saltar com os pés
as dobras do tempo, um labirinto.
Deu para ser o tempo dobrado sobre seu corpo.
Na solidão fabricada de novas memórias, seu desafio:
conhecer a anatomia desse novo animal
curvando-se ao espaço.
Amar esse animal
e deixar-se avistar por Ele.


Patrícia Porto



Estou seduzido.
As pernas bobas e inseguras , seguram o meu desequilíbrio e ousadia.
Morrer desse amor impensado ou viver em plena agonia.
Gosto da tua coragem na espera.
Da tua fé em mudanças, bem me faz.
Gosto, mais ainda, dessa meta metamorfose.
Uma espera não resignada.
Uma certeza impossível
Um ''q'' de verdade nesse lúdico espelho.
Aparelho do disfarce.
Daria minha morte para vê-lo.


EDUARDOCAETANO


            Esta espetacular capacidade que o ser humano tem de se reinventar, torna infinitos os caminhos buscados. A vida vai nos burilando, moldando, desfazendo..A vida é cruel. Aí, aprendemos o truque. Não podemos com o inimigo...então, nos unimos a ele. E é esta unidade, este sair de si que permite renascermos em tantas, conforme a toada do caminho. Alma desdobrável, que ninguém se engane...encerra a fera tediosa de uma existência banal. Pombinha indefesa e a pantera indomável coexistem no coração de cada mulher.Por que, frágeis, somos fortes em tudo que nos propusermos a realizar. Não tememos os abismos, espantamos a tristeza e afugentamos a vassouradas, se preciso for, o que não nos faz feliz, o que engessa sentimento, a feroz solidão. Repelimos tudo que tenta calar nossa voz. Nossa voz é amor...isto incomoda. E aí, quando conseguimos colocar em versos em quantas nos desdobramos, sempre buscando o sentido de todas as coisas,é tudo uma festa. Esta festa, Patricia Porto, para a qual seu verso sempre nos convida, nos permitindo o fascínio de nos reconhecermos em muitos e diferentes espelhos.É quando resgatamos o sentido. Belo, intimista, inquietante poema...por isto mesmo, sedutor....você, Patricia. Beijos, querida amiga.

JUSSARA MARINHO

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.
Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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