sexta-feira, 14 de março de 2014

FORA DE ÂNGULO

Ozias Filho

aonde o amor espera
eu ponho um ponto
- uma exclamação de dúvida
inesperada.
Carrego feito a vida
a dor da morte prenhe.
E solto aonde o amor desperta
a minha demora.


Patrícia Porto

quinta-feira, 13 de março de 2014

Visceral?

Guernica, Pablo Picasso


Olhe bem pra mim. Assim é bem melhor.
Não pulo. Veja.
O escuro não dura tanto. Eu juro. Mas eu minto.
Enquanto penduram Estrelas no céu
eu me escondo de ombros.
Não durmo. Não acordo.
O verde das ruas são de cor de oliva.
Eu morava numa vila militar.
Você sabe como é viver nas ruas dos quartéis?
Era com pá-pá-pá-pá-pá-pá.
Minhas vísceras sabem. Tremiam.
Com o tempo se aprende a usar coturnos para se defender das paredes.
As dunas e os corpos são grãos de poeira. Visceral não é cósmico.
E eu faço poesia para não morrer de Metáforas e Meteoros.
Minha palavra não é curta, mas sempre um esboço de desejo pétreo,
procuro bandeiras em mastros de dor nua para me autoflagelar. Mas sofro de cinismos.
Não grito e não amordaço. Não podemos gritar as crianças desse campo.
O dia perdura, coloco meu manto no mastro
com medo da santa de farda, ela é a força da rua  sempre por um fio.
E tudo começa e tudo termina sem risos. Papai não deixa cuspir no chão.
Tudo rompeia silêncios, trancadas as vísceras num caixote,
sol dados tão rasos
esperando na curva uma pedra úmida de amolar.


Patrícia Porto

quarta-feira, 12 de março de 2014

COMOSE


Olhos de David

A poesia 
entre a maior e a menor redondilha,
entre o axioma e o enigma,
entre a esgrima e a falta de pão.
O nada vestido de oblíqua coesão
de tudo - comoção.
Bendita, oh, maldita!
Maquinista de um trem
assombrado de outros, anacronista.
Comose. Como ser?

Patrícia Porto 

  

terça-feira, 11 de março de 2014

RESGUARDO

 


O ar silencia infinitos
e os olhos não se definem
da dor que os absorve -  tão dentro de si.
Resguardo corações que calam,
buscando palavras
necessariamente proveitosas
para continuarem unidos
nessa amizade
de flores e pedras,
de medos e esperas,
de caminhada
e fins inexistentes.

Patrícia Porto

segunda-feira, 10 de março de 2014

aNas janelas...

Hanna Seweryn

AnaFlor
Florvioleta
Rosa cor
Rosa som
Rosa simplex
Vida dor
Dó e nó
Vida não
Se assemelha
A sementeira
Daninha

Terra sim
Florvideira
Rosa com
Via-láctea
Rosa sem
Arma-duras
Ama sim

Nanaflor
violetas
Rompe
enfim
Violenta
Represa
em palavras

Livre sim
AnaFlor
Vi-as-letras
Nas janelas
Que me olhei
escrevendo
Lilases


Patrícia Porto

Maria Judite


Jussara Almstadter


MARIA JUDITE

Nó...
Trago os teus chinelos
como Cândida.
Não sei se apago a luz.
Não sei se acendo a vela.
Talvez eu deixe o corpo
dessa língua dura, rude, grossa
à cruz
à queima.

Pega cá, os teus chinelos!


Patricia Porto

Sem Ar


Ozias Filho

Se de dia
em mim morres,
uma vontade seca, surda de palavra,
tranco no quarto
a mil chaves
o traço mal feito
no papel que sobra
da rigidez do espaço.
É tempo?
Escorre, me sangra, se desata.

Colo mosaicos anêmicos,
soltos na arte
sempre menor, minúscula,
a previsível e reveladora
do meu sem-lugar.



Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.
Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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