sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ode ao Cão.

Alessio Ortu

Se a cidade é cão,
urina nas paredes de aço.
A cidade no fluído feixe, tão chuva a ácida.
Tão doce o desespero,
tão fechada a saída de emergência.
Procurem, por favor, a saída de emergência!
A cidade geme, o concreto geme, o teto sem teto,
a mãe sem filho, o filho sem pai, o pai sem teto,
as meninas, os meninos, os nossos filhos descansando na esquina,
um feixe, uma cratera aberta no peito, pontilhados, pontos,
pecinhas desse jogo sem fim sem começo sem tintas na cor.
Perdida a chave, nos cruzem com seus olhos, seus braços,
suas mãos para queimar a maçaneta da porta,
descruzando dedos.


Patricia Porto

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"A Mulher do Porto" & "Basta de Poesia!"



A MULHER DO PORTO.
(Para o Mesac)

Sou uma mulher à toa
À toa das carnes que salgam o mistério da Islândia
de meia calça na luz de abajur brincando de escrevinhações,
bebendo doses de sereno sem medir a culpa dos avisos de não entre,
escavando abismos, fendas e os vácuos entre o meu e o seu.
Uma mulher à toa, rasgando vestidos e versos de lua,
escrevendo na areia o segredo do mar:
o nome do marinheiro que esteve aqui em meus quartos
de dormir acesa no terceiro tempo: nós.  
À toda atuo como a velha soberana dos sonhos,
ouvindo o meu amor me chamar...  
Vai que o amor sossegue qualquer projeto de extinção
da espécie da dez-razão.
Se esse amor me chamar  
vai que desconcretizo a estrutura,
folgada, mulher à toa de vez,
nele abastecida de mim, me encontrando às avessas,
versando incredulidades.
Amando mais - que mereço.

Patricia Porto


BASTA JÁ DE POESIA!
(Para a Patrícia)

Basta já de poesia!
Careço sua mão em mim,
Sua mão comigo,
Sua mão na minha.
Os dedos bem juntinhos,
Doloridos de tanto entrelaço,
Suados de tanto querer.
Por isso, basta de poesia!
Careço suas pernas nas minhas,
Suas pernas abertas às minhas,
Suas pernas abraçadas às minhas,
Os músculos quentes colados,
Aderidos, misturados,
Esvaindo-se de tanta exaustão.
Basta já de poesia!
Careço seus pés,
Seu tornozelo,
O espaço macio detrás do joelho,
E... o bico dos seios.
O pescoço, o colo, os cabelos miúdos da nuca, a saliva, a língua, a boca.
Careço aquela que quando se abre em charco, em vida, em mar,
A poesia se cala,
Nem precisa mandar.

Mesac Silveira 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

E Rio.



E aí o rio corre,
o Rio corre e eu também vou pensando...
Não sei como saber, então imagino um rosto, um sorriso,
a outra metade do pão com manteiga que comeremos na esquina num dia de semana,
o subúrbio fervendo.
Atravessando a ponte a janeiros.
E eu rio como se conhecesse o Mar,
como se coubesse inteira a travessia ou travessura por dentro.


Patrícia Porto

domingo, 19 de janeiro de 2014

danza

Fotógrafa: Silvia Machado, Dança Contemporânea.


Todo amor um arremesso,
um suspense, ar suspenso,
um dedilhado,
um beijo que ficou por vir assombrado
a casa velha em demolição
um verso nos pés avulsos da bailarina
que dança a dor entre dentes 
e é feliz

Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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