sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

em tuas mãos

© Victoria Baraga

Homem,
melhor botar sua barba de molho
antes que escorra da fruta a toda
linguagem da minha fome, a suculenta,   
em fruta de pão, fruta solar, a que me farta o sonho,
a meio partida, aberta aos gomos,
dividida aos pedaços para ser  
- a devorada, a desfeita, fruta da sexta,  
transformada em água doce e sal
na boca do mundo, a cheia.
Trans borda.
Transberra.
E esses meus cabelos
de despedida... 

Patrícia Porto

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

voraz se me desnuda




Se todas as noites escrevo meu nome no reverso 
então me pergunto se é amor.
Mas como se pode amar assim ao entardecer
quando a solidão já é cortês?
De longe desejei que o estrangeiro voltasse,
tirasse suas botas pesadas,
deitasse suas armas fora.  
De longe me fantasiei de noiva,
entrei perpetuada, cheirando a flor,
na história que me contei amanciada.
O barco não regressou.
Cartas não chegaram ao destino do Himalaia.
O cão ladrou de medo na Argentina.
E o espanto rugiu apertando de sede
a garganta na Austrália.
Dizem que o estrangeiro vive no Mar como um velho lobo,
pouco visita o firme.
Fluída de minhas águas sem ter deságuo
águo minhas vestes de baixo
e faço de meu corpo minha atração única, em pelo, em fêmea,
efêmera.

Patrícia Porto

Henri Cartier Bresson

cosas eternas


SARA SAUDKOVA

Eu já estive com ele nas nuvens e nas idiossincrasias do tempo, 
velhas antenas de TV, 
rádio de pilha,
coisas que ocultamos no baú como sentenças de um cadáver,
uma língua morta, extinta no achado de tua boca aberta que beijo.

Eu que esperei tanto nessa janela de tempo?
Ainda espero como quem não espera - para não dar azar.

E ele me responde: "e eu que esperei tanto... pela sua espera (e, enquanto esperava, naveguei e colhi estrelas. Trago-lhe uma entre as mãos - a estrela da sorte -, feita da poeira dos tempos, dos tempos da espera)"

E eu que já estive com ele em todas as vidas e esperas me abasteço de sorte,
poeira do tempo,
estrelas...

Patrícia Porto

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A memória e seus tentáculos

Walter Schnackenberg



Sempre que se demora demais
Em gastar tantos minutos com reminiscências
Acorda enjaulado, conversando com Kafka,
Brincando de beijar a própria morte.  

Patrícia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.
Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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