domingo, 28 de dezembro de 2014

Velocino

Yuko Rabbit


O poema que espere!
As roupas estão no varal.
O poema que se espera
fica assim na garganta: fiodevoz
se afunilando.

Quer é língua,
descer no fio,
morrer, viver nessa: voz

Ser o fio
equilibrista de dorso.
O menino que espere!
Tem essa dor pra ninar.
Essa pedra batendo
uma sonata de rio.
Uma convergência de som
no meio fio.
Via medo de ser
não foi, não quis,
ficou.
Era mulher

(que espere)

.
  
Patrícia Porto