terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pausa para atonais

Cidade Verde,  Bernard Caelen

Ele disse que vinha.
Arrumei a desordem da vida,
coloquei flores na varanda,
varri velhos fantasmas,
forrei retratos antigos.

Com um pouco de sorte
ele perceberá meu simbolismo,
minha presença
- no perfume do simples
que guardei em vidrinhos.

Com um pouco de sorte
ele vai me sentir
com todas as dissonâncias
em liberdade.

Para esperá-lo
vou tomar um chá com canela
- delicadamente,
gole a gole.

Não tenho mais rima para apressar...
Sou dona do meu nariz,
essa peça de riso cênico.

Vou colocar açúcar na janela,
a janela dentro da xícara
que bebo bem devagar.

Com um pouco sorte
ele pausa (...) aqui.

Patrícia Porto