sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Como inventar um poeta

(Pensando em Manuel Bandeira)




Inventar um poeta é dose diária de loucura e de agonia.
Aos poetas menores, a maior sabedoria:
o tempo e o gosto. O gosto mascado da história. Ficando gasta a língua.
Ficando gasta de tanto uso.
Lá onde a vírgula faz o vento e a palavra poesia é uma menina vestida de chita
girando no quintal de suas paragens, sedenta de memórias...
Lá onde tudo: poesia, menina, memória - é puro delírio, imagem e invenção.

Patrícia Porto