domingo, 30 de novembro de 2014

Casa de águas


Esse inseto na flor
na água-de-flor-de-laranjeira-azeda,
na flor de pimenta de cheiro
é pele, pluma leve,
levo no peito um deserto, um respiro
e
certezas de beber nas fendas, nas ranhuras
das pedras pelas manhãs,
um novo espaço inteiro.

Na dose da flor mais fruto,
mais fluída verte líquida,
molhando a boca do tempo em espiral.

Saudade é um vulto misterioso
que no corpo - transmuta e deseja
ser apenas o-que-é:
- breve ou longa,
cedo ou tarde,
o fundo e o raso,
o ser imensa
Andar perdida de aventuras...
Nesse reverso morar.

E o amor
na casa de passarinheiro
é um quintal de açucenas
livres.

Na intensidade acesa:
é água marinha,
água brotando
fluxo pro mar
- espuma é espanto.

Em brincadeira de riso
lama de rio é alma de gente
que tudo inventa.

No dentro um arrepio,
uma terra que não cessa
de ser esse doído de delicados na renda.

Vou pro tambor ver o fogo.
Vou dançar todas as dores
até o sempre. Até esgotar a morte na saia -
- porque sou vento. E rodopio...

O amor,
minha casa de águas,
me acena e vai...
E sempre retorna brincante
-  pra me contar sobre esse giro,
a poeira celeste...
o menino correndo na temperança da vida
no tempo da flor...na flor aberta...em flor-senti(n)do

Patrícia Porto