domingo, 19 de outubro de 2014

É o que temos para hoje.


Henri Cartier-Bresson



Há dias de delírio e dias de tumulto no coração
- uma luxúria impiedosa: viver.
Há esses dias de exílio e dias nanicos, de intenso marasmo
- essa vida atirando no ouvido esses dias de convulsão. 
Há essa mulher na rua pedindo abrigo,
tudo nela foi gastura, dias de poemas em eco insistente. Não vou. Estou indo.
Há dias de algodão e dias de chumbo.
Dias de quarto vago, de absurdos, vazio 
- uma tontura da existência: ter que partir.
Voltar e contornar a ilha
em dias inconstantes de suspense,
encontrar um cerco, cercar de muros a palavra, cercar-se de palavras.
Há dias de secar a palavra feito carne de sol.
Há os dias em que tudo é charco
e dias que só nos cabe renascer.


Patricia Porto