quarta-feira, 29 de outubro de 2014

de cashmere e sabre


© Diane Arbus

de cashmere e sabre

Tecido de cor
- cashmere violeta.
Nas mãos um sabre
ao invés de flores.
A vida, essa desatenta
- não lhe deu pareia,
só tapera.
A noite, tacanha,
ganhou dela terço,
palavras ao vento:
“vou rezar por ti”.
Dobrou o tecido em dois,
jogou pedras na cruz
e desalinhou.
Por desbunde
vive a demérita.
Poindo coisas do não-coser. 

Patrícia Porto