quarta-feira, 17 de setembro de 2014

De infinitos e fecundos




De infinitos e fecundos

  
Com quem dialogas?  
Teu vulto? Tua silhueta?
Com teu rosto nos olhos de uma outra?
Com a tua estátua? Com a tua escrita paralisada?
Com a tua mística?
Com as tuas pedras?
Com quem dialogas?
Com teus orixás? Teus símbolos?
Com teus arquétipos?
Com o teu Cristo na parede?
Com a casa de teus mistérios?
Com quem dialogas?
Com a tua fecundidade?
Com a tua escassez?
Com teu estranhamento?
Com a tua cultura?
Com o teu phatos?
Com o teu sexo?
Com a tua visão?
Com quem além de tu mesmo, em silêncio,
além do enfrentamento contigo mesmo, no barulho,
nu, cru, aberto às vísceras, visto fantasma
na tua incapacidade de ser para além-de-ti-com?
Como dialogas?

PatriciaPorto