domingo, 17 de agosto de 2014

Trilhos e Trilhas

Gil Vicente


Ele me é ânima,
algum estreito do outro lado de seu braço.
Sanha do tempo, sonho de breu,
beco e esquina,
entranha e seiva,
tira as botas, as correntes,
serena cansado
e dorme no meu dorso de finito.

Veja bem, se tudo é sina,
tudo estranha. Tudo acalanta.
Doces dias, doces noites...
Minha flor, ácida, triste,
minha faca na carne,
meu sangue de dentro labuta.
Tudo ensina.
A figa, o brusco, a terra, o engasgo, o nevoeiro...

Quem é que vai te encontrar
quando eu voltar não sei pra onde?
Quem é que vai seguir nossos trilhos? Quem vai seguir?
Oxalá, os nossos trilhos!

Patrícia Porto